Bio

Professor do Departamento Interdisciplinar, Campus Litoral Norte da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (CLN/UFRGS).

Doutorado em Demografia, Mestrado em Geografia e Pós-Doutorado em Análises demográficas espaciais na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), e graduado em Geografia (bacharelado na UFRGS e licenciatura na CEUCLAR).

Publicações recentes

Dagnino, R, JOHANSEN I.  2017.  Os Catadores no Brasil: características demográficas e socioeconômicas dos coletores de material reciclável, classificadores de resíduos e varredores a partir do censo demográfico de 2010. Mercado de Trabalho. 62:115-125.: Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Abstract2017_mercado_de_trabalho_dagnino_johansen_catadores.pdfRepositório IPEA

Este texto apresenta um diagnóstico das características da população de catadores no Brasil de acordo com o Censo Demográfico de 2010, utilizaram-se as definições e as classificações de ocupação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi selecionado um conjunto de indicadores demográficos e socioeconômicos para permitir uma compreensão de diferentes aspectos da vida dos catadores e a comparação com a totalidade dos trabalhadores brasileiros, denominados aqui população ocupada (PO) total. Os indicadores baseiam-se no arranjo e no cálculo a partir de variáveis como um recurso metodológico para retratar a realidade de forma simplificada, porém objetiva e padronizada, traduzindo as dimensões de interesse definidas a partir de escolhas teóricas (Jannuzzi, 2001; 2012). Tratam-se de medidas-síntese utilizadas com frequência em diversos trabalhos (Ripsa, 2008, p. 13), o que permite fácil comparação. Com este texto, tentamos atualizar as informações sobre a população de catadores no Brasil, recentemente publicadas em Dagnino e Johansen (2016), com base no Censo Demográfico de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Neste trabalho anterior, embora a escolha dos indicadores e o método de cálculo de cada um deles tenham se mostrado satisfatórios, a análise foi prejudicada devido a um erro de codificação nos microdados da amostra que causou uma subestimação do volume de catador, fato que só foi identificado após o auxílio do pesquisador Sandro Pereira Silva, do Ipea, em decorrência de sua publicação recente sobre o tema (Silva, 2017). Na publicação anterior, Dagnino e Johansen (2016) encontraram 171.553 catadores no Censo 2010, mas refazendo a análise a partir da base de dados do Centro de Estudos da Metrópole (CEM) da Universidade de São Paulo (USP, 2016), foram encontrados 398.348 trabalhadores nos três códigos de ocupação pertinentes aos catadores (9611, 9612 e 9613), um volume mais próximo dos 387.910 identificados pelo Ipea (Silva, Goes e Alvarez, 2013). Nossos resultados apresentaram volume maior pelo fato de esses autores terem retirado da análise os trabalhadores ocupados como “Varredores e afins” (9613). Do nosso ponto de vista, a autodeclaração das ocupações (e mesmo a declaração por terceiros, tendo em vista que muitas vezes não é o próprio trabalhador que responde ao recenseador) está sujeita a falhas e imprecisões inerentes ao método do levantamento. Por esse motivo, neste trabalho são incorporadas na categoria “Catadores” as três ocupações (9611, 9612 e 9613). Finalmente, este trabalho oferece continuidade a uma agenda de pesquisa acadêmica iniciada há mais de uma década, com a proposta de utilizar dados do IBGE em paralelo a outras fontes para o diagnóstico do volume, da situação e do perfil dos catadores de materiais recicláveis, bem como da coleta seletiva de resíduos sólidos no Brasil (Dagnino, 2004; Dagnino e Verdum, 2006; Dagnino e Dagnino, 2010). Essa iniciativa também se soma à de outros autores que se propõem ao estudo dos catadores de materiais recicláveis no Brasil (MNCR, 2009; Cherfem, 2015), e especialmente dialoga com outras investigações que se utilizam de dados do IBGE para caracterizar a população de catadores (Crivellari, Dias e Pena, 2008 apud Dias, 2009; Santos, 2013; Silva, Goes e Alvarez, 2013).

DAGNINO, RS, D’ANTONA AO.  2016.  Atlas do Observatório das Migrações em São Paulo. , Campinas: Laboratório Urbanização e Mudanças no Uso e Cobertura da Terra (l-UM), Faculdade de Ciências Aplicadas; Núcleo de Estudos de População "Elza Berquó" (Nepo) – Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).Website
Simoni, A, Dagnino R.  2016.  Dinâmica demográfica da população indígena em áreas urbanas: o caso da cidade de Altamira, Pará. Revista Brasileira de Estudos de População. 33(2):303-326. Abstract2016_rebep_simoni_dagnino.pdfScielo

This paper focus on indigenous people in the municipality of Altamira, in the State of Pará, Brazil, emphasizing the presence of indigenous people in urban areas and especially in the city of Altamira. The purpose here is to understand the dynamics and movements of these populations in regard to the data produced about them and the data produced by them. For that, data from fieldwork are used, as well as the demographic censuses data of 2000 and 2010, produced by the Brazilian Institute of Geography and Statistics, and also information from surveys produced because of the construction of the hydroelectric plant of Belo Monte to identify the indigenous people living in the city. The paper intends to capture the processes by which the indigenous population has passed and still passes, highlighting the threats posed by the Belo Monte dam construction and by political forces that have put this population at risk. The results point to a growing presence populations in urban areas, mainly from the Juruna, Kuruaya and Xipaya ethnicities who once seemed to have decreased significantly, but underwent to a demographic recovery process in the city, associated with a political movement pivot around their ethnic identity since the 1990's.